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Retrospectiva 2004
Começo a buscar meus cadernos.
Grande parte das folhas está praticamente ilegível. As lágrimas borraram a caneta e as palavras se perderam no papel.
As poucas letras que consigo juntar formam sonhos destruídos, decepções, doenças, mortes, tempestades em copos d’água, medo, choro.
Um ano que começou errado!
Viro mais algumas páginas.
Vejo um certo colorido, Borboletas no meu Jardim. Recordo flores, sorrisos e Sol.
Encontro alegria nos amigos – meu porto seguro! Confesso que só hoje entendi quando dizem que amigos de verdade se contam nos dedos (às vezes de uma só mão)!
Mais para frente, muitas perguntas sem resposta. Questionamentos sobre o mundo, sobre a vida, sobre mim, sobre Deus.
Filosofia das mais baratas, mas tão importante. É o que me fez crescer.
As últimas páginas ainda estão me branco, mas fecho o caderno sem mais escrever.
À meia noite do dia 31, abrirei um novo caderno. Recomeço.
Em prantos, me recomponho e apenas digo: Aleluia!
FELIZ ANO NOVO!

Diário de Bordo
Joaquina, Praia Mole, Praia Brava
Quatro ônibus e um passeio pela praia – na chuva
Quarto do hotel e o sol resolvendo aparecer...
Ihhh faltou a foto! Corre pro shopping...
Cartões postais para os amigos (de quem tinha o endereço)
Sem máquina fotográfica! Culpa do Nilsinho!
Arco-íris na Beira-Mar...Caminhada pela praia.
Ponte Hercílio Luz
Avaí na segunda divisão – Festa figueirense
Ansiedade de véspera de prova
Sol sol sol...e nada de praia, tem prova!
Caminhar pela Beira – Mar – Concentração!
Quero tanto passar!
Desliga o rádio...sem ouvir o gabarito!
Risada a três – nova companheira gaúcha
Um lanche gigante...sem a batata frita
Prova – redação
Desliga o rádio...não passei na USP
Ùltima noite – festa!!
Uma hora de angústia – vou perder o vôo!
Chegou o ônibus – hotel
Corre pro aeroporto
Concreto concreto concreto – São Paulo
Quero voltar!
Descobri meu lugar...
Fase musical: Skank - Vamos fugir

A Menina e o Espelho
Fernanda era uma pequena mocinha. Em meio aos seus oito anos, ainda via o mundo cor de rosa. Brincava de ser grande, sonhava com aventuras mil, imaginava seu futuro colorido e se divertia a valer recolhendo seus sonhos em uma caixinha.
Certo dia, Fernanda acordou assustada. O tempo tinha passado enqunato ela dormia e ao se olhar no espelho, não via mais a imagem da menina risonha...via uma mulher. Uma mulher de sonhos concretos, incocência perdida e futuro incerto.
Ficou ali algumas horas, a observar o reflexo daquela mulher que lhe sorria com o olhar. Onde fora a garotinha que outrora estava qui? Ainda ontem, brincava de boneca. Hoje, me vejo prestes a entrar em um avião para, talvez, mudar minha vida inteira...
O que dez anos fizeram com os meus sonhos? Os tenho, mas não são os mesmos...Será que o homem do tempo roubou-os de noite e a manhã trouxe outros com seu raiar?
Quem é está mulher que me observa do outro lado? Será que sabe dar cambalhota? Será que gosta do cheiro da chuva?
Depois de algum tempo, Fernanda adormeceue encontrou-se com a garotinha de dez aos atrás, que hoje, bem guardada na história e no espaço, persegue borboletas azuis, brinca de esconde-esconde no espelho e e viaja com seus sonhos, até onde o vento levar...

Fim de ano...
Despedida?? Não sei...
Prefiro não pensar nisso...Mesmo sabendo que as lágrimas, hoje, foram de medo.
Medo de ir...Medo de ficar...
Tenho tanto pra falar, mas não hoje...
Ai embaixo, uma letra do João. Não ouvi a melodia ainda, mas pelo que conheço da família, e pelo que percebi da sensibilidade desse menino, dever ser foooooda!!
Eu volto a escrever, amanhã, ta?!
(João Durigon)
Lado errado – destino?
Outro laço – desisto?
“Foi passado” – descaso?
Tempo errado – espaço
Esperança
Lembrança
É o tempo
Errado
Não ligo – existo
Cansaço – eu vivo
Esquecer – não faço
Ao seu lado – eu vivo
Eu vivo – esperança
Numa eterna lembrança
No passado – é o tempo
Do meu tempo errado
Não ligo – destino
Cansaço – desisto?
Esquecer? – descaso
Ao seu lado – espaço
Eu vivo – esperança
Numa eterna lembrança
No passado – é o tempo
Do meu tempo errado