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Ontem eu quis fugir para a eternidade. Tornar-me merecedora do Olímpio...Talvez a ilusão de um adeus mexesse menos comigo do que a certeza de uma presença. Não sei dizer o porque a vida reage dessa forma aos meus pedidos. Era incerto que o futuro era presente.
Hoje, não quero mais concorrer ao cargo de mulher maravilha. Só quero encontrar-me comigo mesma, no meio do caminho. Talvez, até fazer par com a pedra do meio da estrada, e procurar a estrela mais brilhante, pra viver de luz.
Ontem eu sonhei com a verdade. Busquei o ideal de amor nas Escrituras...Vivi e corrigi os meus textos, mas nada saiu com forma legível. A dúvida do amanhã angustia, e deixo de humanizar-me para virar pássaro.
Hoje, vôo por ai, criando asas, gerando ventos e assoviando canções (não mais profanas). Liberdade... Sou pássaro fugindo do inverno, me escondendo do fracasso, tentando apassarar-me para não mais ser humana.
Ontem eu brinquei com a realidade.
Hoje, recolho meus cacos no chão.
Nunca tive medo do escuro. Os fantasmas do meu quarto nunca foram inimigos – eram companheiros, alicerces da noite.
Da janela, Clara Luz irradiava. A grande e formosa Lua iluminava meus versos até a última lágrima.
Muitas vezes, abafando o som de cidade grande, um CD balbuciava suaves melodias, ondas quebrando em rochedos, baleias rimando orações.
Meu be-a-bá imperfeito formava longas e belas histórias. Contos de fadas. Príncipes, Princesas e juras de amor eterno sob o luar.
Minha platéia sempre fora o céu estrelado. E dentre tantos olhares atentos, uma em especial era tida como “minha”. Bem em cima da antena do prédio à direita.
Minha estrela sempre escutou minhas histórias com a atenção de um aluno em véspera de prova. Dividia comigo a paixão pelo herói, a admiração pela mocinha e o final feliz.
Nunca jamais soube entender porque as noites de Wendy deixaram de fazer parte. E minha estrela resolveu esconder-se do mundo. Às vezes, ressurge ao lado da minha mais fiel companheira.
A Lua, repleta de sonhos, sempre me esteve presente. Secou lágrimas, cantou canções, levou orações, apresentou meus números, presenciou ensaios, organizou meus gestos, provocou espetáculos, antecipou meus amores e foi comigo além...
Talvez por isso, em tantos anos de Teatro, dentre tantas peças e tantas falas, só me lembre de uma:
“Oh! Não jures pela lua, a inconstante lua, que muda todos os meses em sua órbita circular, a fim de que teu amor não se mostre igualmente variável.”
E eu, nem era Julieta...
PROCURA-SE
A lua jamais revelou seus contornos...
Moço dos meus versos;
Povoa meus sonhos em notas de dó.
Partitura das verdades...
Dono da distância;
Coroa meus medos com sorriso nos lábios.
Fotografia das horas...
Mergulhador da esperança;
Invade meu canto com letras de paz.
Prosa da eternidade...
Músico dos domingos;
Soletra meus erros em uma frase só.
Estrela da Manhã...
Professor da ausência;
Engana a morte pra viver de luz.
Mar de pecados...
Encantador de sonhos;
Esconde seus olhos, e me enche de amor.

Te Ofereço Paz (Valter Pini)
Te ofereço paz
Te ofereço amor
Te ofereço amizade...
Ouço tuas necessidades
Vejo tua beleza
Sinto os teus sentimentos...
Minha sabedoria flui
De uma fonte superior
E reconheço essa fonte em ti...
Trabalhemos juntos!
Já digo que sinto tanto a falta de vcs...NÃO QUERO IR EMBORA!!!!!!!! To com MUITO medo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Então, Eros apenas sorriu...
Ela nem sempre sabia o que dizer. Quando muito, conseguia sorrir em resposta aos olhares devastadores Dele...Um Deus nato. Era notório o nervosismo de ambos ao se verem. Olhares trêmulos, sorrisos sem graça, calafrios, mãos geladas, pernas bambas, borboletas no estômago e tudo aquilo que sentíamos aos doze anos e que jurávamos ter perdido para sempre.
As falas eram sempre ensaiadas, pensadas, e acabavam por tornarem-se mensagens. A Internet tinha um importantíssimo papel na união desse casal. Mas, óbvio que apenas as mensagens não os satisfaziam...Com o tempo, os números de telefone na agenda e as aulas em outra sala, passaram a ser essenciais. Além, é lógico, dos famosos cigarros no intervalo, que Ele jurava ter parado!
Ela procurava defeitos, mas era difícil. A voz, a altura, os cabelos, os olhos, o sorriso, as aulas, tudo lhe parecia a cada dia, mais e mais interessante. E a cada dia, mais e mais Ela suspirava por Ele...
Havia um certo receio no ar. Será que Ele quer apenas a minha boca? Ela dizia. Mas, mesmo que fosse, estava disposta a faze-lo enxerga-la diferente: “Sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher... Sou minha mãe, minha filha, minha irmã, minha menina... Mas, sou minha, só minha! E não de quem quiser... Sou deus, tua deusa, meu amor...”.
Mas esse receio era o que menos importava nas horas de euforia. Durante as conversas ao telefone, ou durante os olhares escondidos no porta do Cursinho, o medo de ser objeto era sempre superado por aquela sensação de estar sem chão, vendo estrelas e sentindo-se a melhor e menor mulher do universo. Que Olimpo, que nada! Ali, eram humanos...Semideuses, talvez, mas no mesmo patamar!
Hoje não havia mais aquele medo. Ela arrumava-se para seu primeiro encontro. A expectativa do “E agora?” a apavorava, mas ao mesmo, tempo, a ansiedade de vê-lo assim, tão de perto, a fazia flutuar...
Tocou o interfone - era Ele. Ela olhou-se no espelho. Estava se sentindo linda com o brilho nos olhos e o vestido cor de rosa. Encontrariam-se e conversariam e Ele também estaria lindo, como sempre, pensava.
Deuses que naquele instante, não passavam de crianças aprendizes. Nenhuma experiência, nenhum outro homem, nenhuma outra mulher, ninguém, jamais os perturbou tanto. E a expectativa corria-lhes, muito além do possível mito.
Encontraram-se, beijaram-se, tocaram-se, apaixonaram-se...E aquela noite, tornou-se, para a eternidade, Divina!