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Viver, é todo o sacrifício feito em seu nome...
A bailarina de cabaré, hoje, acordou feliz...Pela primeira vez em anos, não precisou recorrer ao pó, ou ao absinto para sentir-se completa. Ontem à noite, depois de mais uma apresentação, mais uma vez fingindo sentir-se bem, mais uma vez encarando os holofotes, preparou-se para ser tomada por mais um homem repugnante.
- Mayara, quarto 215. Cliente novo!!
Respirou fundo...os clientes novos costumavam ser mais brutos ainda do que os antigos...a possuíam sem a menor preocupação, a não ser a satisfação plena de seus desejos carnais.
Subiu as escadas e, de repente, sentiu-se puxada por um braço, forte, másculo e pela primeira vez em anos, apesar do susto, sentia-se segura! Foi beijada...e tomada de um calor envolvente, que lhe subia das pernas, à barriga e pescoço...não se sentia excitada desde que entrara naquela vida, acreditando que seria uma bailarina famosa - tola!!
O estranho entrara com ela no quarto mais próximo. E foram ambos tomados de um desejo profundo. Ela sabia que deveria estar em outro quarto, com outro cliente, mas não conseguia se desvincular daqueles braços, daquele corpo, daqueles beijos...sentia-se uníssono com aquele outro ser...Gritou como nunca...e o prazer que sentira naquele instante de gozo fora suficiente para encher-lhe da satisfação de uma vida inteira!!
No raiar do dia, percebeu que reconhecia o rosto do homem ao seu lado...mas, as batidas furiosas na porta do quarto denunciavam que aquele não era nenhum cliente...Lembrou-se, então, do seu primeiro namorado....Não podia ser...Não, ele não sabia que ela estava lá...Deus! Era ele!! Se único amor...sentiu-se envergonhada...e quis fugir, antes que ele acordasse. Tarde demais...as pancadas na porta já o tinham acordado.
Ele, sorriu, beijou-a , vestiu-se, e foi atender a porta. Voltou-se para ela e disse:
- Tenho que ir, minha querida. Amanhã eu volto...Aguarde-me!!
Então beijou-a, mais uma vez, demoradamente, virou-se e foi embora, deixando-a aguardando pela próxima noite.
Baseado em fatos reais
- Nossa!! Ele fica lindo de qualquer jeito!! Até de camiseta branca e calça jeans, ele é perfeito...
- É mesmo, Li!
- Aiai!!! Literalmente um Deus grego...
(Suspiros!!!!)
- Li, ele ta vindo jogar o copo!!
- Nossa!! Eu to bem em cima do lixo...
- Oi meninas...
Dá licença pra mim, por favor?!
- Ah, claro!! Obrigada!!
(????????!?!?!?!!!!!!!!!!!!)
- Ê!!! Aline sempre causando!!!!
- He...Obrigado!!
- De nada...
(Ele sai andando, rindo da nossa cara...)
- Homem bonito é foda!!!!
Ó! Vã hipocrisia...Até quando hei de te ver em meu mundo?
Até quando terei de cair por tuas mentiras?
Ó! Vã solidão imoral...Até quando hei de chorar pela ausência?
Até quando terei de gritar pela essência do ser?
Ó! Vã atuação perfeita...Até quando hei de clamar pelo fim?
Até quando terei de lutar por direitos iguais?
Ó! Vã ilusão de ser...Até quando hei de sonhar acordada?
Até quando terei de acordar sem amanhã?
Ó! Vã decadência humana...Até quando hei de lamentar o viver?
Até quando terei de alimentar um porquê?
Ó! Vã clemência da razão...Até quando hei de seguir seus instintos?
Até quando terei de enfrentar meus delírios?
Ó! Vã existência insana...Até quando hei de implorar por perdão?
Até quando terei de pensar sem emoção?
Decadentismo...talvez eu até goste mesmo do Simbolismo!
A questão é apenas reflexo da Segunda Revolução Industrial...a pequenez da existência humana, sempre lamentando, quando os verdadeiros culpados pela insensatez são os próprios homens. Homens sem alma, sem sombra, sem amor...Homens de pouca fé (eu entre eles). Afogam-se nos paraísos ilusórios...Ópio do ser...As letras são meu entorpecente.
Desculpem a depressão...me encontro no Nada...e por hoje, o Tudo não o tem como referência!!!
Melhor que chocolate...
Me tome em seus braços – Agora
Eu te quero filho da maldição
A me receber mulher-deusa...
E te quero escravo do corpo
A me envolver no prazer.
Me beije de leve – Sussurre
Eu te quero filho da indecência
A me excitar com palavras...
E te quero criança sorrindo
A se deliciar com o novo brinquedo.
Me olhe nos olhos – Tremendo
Eu te quero filho do mestre
A me ensinar o desejo...
E te quero adolescente em chamas
A me ver prostituta das letras.
Me toque na alma – Gritando
Eu te quero filho do mundo
A me tentar com teus lábios...
E te quero homem do tempo
A me mostrar o calor aqui dentro.
Me leve no colo – Bem alto
Eu te quero filho da Nasa
A me mostrar as estrelas...
E te quero meu sem palavras
A me amar com certezas.
Hoje, cubro-me de palavras alheias...
Mário de Sá Carneiro
Um pouco mais de sol – eu era brasa,
Um pouco mais de azul – eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Assombro ou paz? Em vão...Tudo esvaído
Num baixo mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho – ó dor! – quase vivido...
Quase o amor, quase o triunfo e a chama
Quase o princípio e o fim – quase a expansão...
Mas na minh’alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!
De tudo houve um começo...e tudo errou...
- Ai! A dor de ser – quase, dor sem fim...-
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou...
Momentos de alma que desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas não fixei...
Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol – vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...
Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...